sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fica

Deixa eu te contar uma coisa: Você entrou na minha vida.
Foi meio mal educada, nem bateu na porta e perguntou se podia, entrou até sem limpar os pés no tapete. Tenho por mim, que se eu trancasse a porta com chave você pularia a janela. De tanto você entrar sem avisar, resolvi te dar a chave. Jogou tudo pra um canto só porque precisava de muito espaço, aumentou o som até o último volume e dançou.
Bagunçou a minha vida. Mas uma bagunça boa. Não sabe? Eu te explico.
Aquele tipo de bagunça que você não quer arrumar e nem se incomoda, porque bagunçado fica mais bonito e mais aconchegante.
Agora, aqui dentro, tudo tem o seu jeito. Suas palavras ecoam, seus gestos se repetem, suas feições alteram as minhas e o seu humor também faz o meu. É meio louca essa influência que você tem sobre mim. Mas é como eu disse... Agora você está aqui dentro, faz parte de mim.
E eu simplesmente não sei como te tirar daqui. Mas também não tiraria, caso eu soubesse. Aliás, eu nem quero saber.
Fica. Não foi embora nunca.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Nada a ver. Tudo a ver.

Não tinha nada a ver.
Ela estava lá e eu cá, nossos horários eram puro desencontros, eu acordava cedo e ela tarde. Enquanto eu estava na praia durante uma tarde ensolarada, ela se enrolava em um cobertor grosso e tomava um café quente. Em minha vida eu podia ter quantas companhias fossem e eu queria só a dela. Na verdade, quanto mais pessoas surgiam por perto, mais falta ela fazia.
Não. A realidade é que tínhamos tudo a ver.
Tudo bem, eu admito que dramatizo as coisas na minha vida, mas o que seria do amor sem uma dose de drama? Sem uma pouco de dor e uma pitada de exagero? Nada! Seria puramente sem graça, entende? Fácil demais, sem nenhum desafio, afinal sem luta não existe vitória. Nós nos amamos demais, nos queremos um bocado e seriamos a perfeição (ignore o fato de que não existe nada perfeito). Já pensou o quanto ia ser entediante? Às vezes me pergunto: “Como posso pensar isso? É o que eu quero, não é?”. Sim, é! Mas eu sempre preciso complicar e achar um significado para as coisas que eu acho que estão erradas, apenas para eu me convencer de que elas podem estar certas. Foi o que eu disse, tem que haver o tal desafio, atravessar alguns obstáculos e fazer valer a pena. Afinal, você só sabe da importância daquilo depois que precisa lutar por isso.
Não vou chorar, talvez só um pouquinho porque não sou de ferro, mas não vou xingar, não vou desistir, vou aceitar dessa vez as coisas como elas estão sendo. Vou ficar imaginando cada passo seu, o toque e a sensação de poder te olhar durante horas. Vou tentar aceitar sem reclamar (mentira, vou reclamar, é claro que eu vou!), e me convencer de que cada tempo sem você vai se tornar o triplo quando eu estiver ao seu lado. Então, menina, seja paciente, assim como estou tentando ser. Sentir falta faz parte, mas não se torture tanto, você me tem. E acredite em mim, quando tiver de ser, será.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

29 de dezembro de 2011

Nada de interessante na TV, só um filme sobre jovens perseguidos por um assassino.
Seis da manhã. Se não estivesse tão cedo eu ligaria pra dizer bom dia, se a conversa se prolongasse diria que sinto falta, que queria você por aqui, junto com essa caneca cheia de café, dividindo um dos meus cigarros. Ah, lembrei que você não curte mais o careta. Sem problemas, acho que não se importaria com o cheiro. Ou se importaria? Tudo bem, eu deixaria esse vício horroroso de lado se isso fosse mesmo importante. De qualquer maneira vou mandar uma mensagem simples e curta. “Bom dia”. Eu sei que você não vai responder, mas eu gosto de te desejar coisas boas.
O dia está bonito, algumas pancadinhas de chuva, o céu um pouco nublado. Sim, eu tenho uma concepção de “belo dia” diferente das outras pessoas. Todos os dias são belos dias, depende apenas de como você se sente no determinado momento. Não dispenso uma praia com um sol estourando e o céu azul, mas eu não estou lá com aquela animação pra sair do meu canto, então um dia bonito para mim era isso, pelo menos hoje.
Vem cá, deita a cabeça aqui no meu colo, o sofá está pedindo você, eu também. Eu te faço um cafuné e um carinho. Deixa pra lá, esquece o que eu disse, eu sei que digo algumas bobagens quando estou carente. Você se incomoda? Espero que não. É que tá faltando você nessa casa vazia.
Estou pensando aqui comigo. Será que essa vai ser uma das escritas sem um final? Eu sempre escrevo cartas sem final. Vai ver não tenho essa facilidade de dizer adeus e sempre termino com um ar de “...”.
O filme começou a ficar interessante, mas prefiro um romance. Li uma vez a seguinte frase “Amor é quando você vê um filme e imagina a pessoa sendo a personagem principal”. É verdade, não concorda? Sempre te imagino, penso como se fosse nossa história. Ah, o que mais eu digo? Eu te amo. Mas ah, você sabe disso.
Calma, antes de se cansar de ler, não se esqueça de passar aqui, tá bem? Ou mande notícias. SMS, telefonema, e-mail. Sei lá, me procura.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Volta.

Sempre tive uma opinião flexível sobre aeroportos. Ora tristes, ora alegres. São felizes quando você está com uma mala e uma passagem para um lugar onde você queira muito ir. São tristes quando se está deixando alguém nela ou quando alguém está te deixando.
Eu não sabia o que fazer. Eu podia sentar em um dos bancos para aliviar o meu cansaço ou abraça-la bem forte e ficar ali por horas para cessar a falta que ela faria, em cerca de pessoas que sumiriam logo depois. Acabara de criar um buraco imenso e frio no meu estomago quando olhei para o relógio e vi que me restava apenas 30 minutos. O que aconteceria depois? Será que ela iria me ver? Ela podia colocar os pés para fora do aeroporto e conhecer alguém legal, que logo depois se tornaria o amor de sua vida. Ela podia desistir de mim apenas por ser mais fácil para nós dois nos envolvermos com pessoas próximas. A falta machucava antes mesmo de ser sentida.
Ela parecia tão agoniada quanto eu. Seus olhos estavam arregalados, assim como os meus, as palavras não saíam e ela não conseguia me olhar nos olhos. Percebi que quem estava me fazendo companhia não era a mulher que esteve comigo por toda a semana, era uma completamente diferente, alguém triste e com o mesmo buraco no estomago que o eu.
O tempo parece mesmo ser um invejoso. Talvez ele nunca tenha tido um amor, vai ver que mesmo sendo o próprio tempo ele nunca teve que esperar por alguém. Será que alguém já pediu um “tempo” para ele? Faz sentido, uma vez que ele não tem a mínima lógica nem porque esperar ele mesmo passar. E ele estava correndo agora, não nos restava mais 30 minutos, eu já nem sei mais o quanto nos restava. E antes que eu soubesse, repousei a minha mochila no chão, ao lado do meu pé e respirei fundo, me pondo de frente para ela e soltando um riso que não queria muito bem ser um riso. Ela fez a mesma coisa, mas as lágrimas dela caíram pela bochecha e eu não consegui fazer mais nada. Eu queria chorar tanto quanto ela, mas nós tínhamos somente alguns minutos e eu não queria desperdiçar com lágrimas, queria aproveita-los com um abraço forte, com um beijo como se fosse o último, mas prometendo que não seria o último.
- Não chora. – Eu disse.
- Não vai. – Ela retrucou.
- E se você conhecer alguém? – Perguntei.
- Eu vou conhecer muitas pessoas.
- Não se apaixone.
Seu choro agora havia aumentado. Apesar de triste, eu achava bonito que ela sentisse a mesma coisa que eu sentia por ela, que ela me quisesse tanto quanto eu a queria. Dei-lhe um abraço forte e beijei suas bochechas e sua boca. O gosto salgado de lágrima me fazia quere-la ainda mais, repetir a dose, mesmo que nós tivéssemos que passar por aquilo quantas vezes fosse preciso. De repente todas aquelas pessoas em volta não existiam mais, era só eu e ela, assim como eu via nos filmes. E o buraco frio no estomago parecia só aumentar. Nós despertamos daquilo quando o meu voo foi anunciado. Nós não queríamos nos largar, mas era preciso, entende? Eu também não entendo, eu só sei que era preciso. E foi triste isso de virar as costas, depois olhar pra trás e ver que ela ainda estava na mesma posição que eu a deixei apenas com os lábios se movendo sem som algum, mas que dentro de mim ouvia um grito bem alto.
“Volta!”.