Sempre tive uma opinião flexível sobre aeroportos. Ora tristes, ora alegres. São felizes quando você está com uma mala e uma passagem para um lugar onde você queira muito ir. São tristes quando se está deixando alguém nela ou quando alguém está te deixando.
Eu não sabia o que fazer. Eu podia sentar em um dos bancos para aliviar o meu cansaço ou abraça-la bem forte e ficar ali por horas para cessar a falta que ela faria, em cerca de pessoas que sumiriam logo depois. Acabara de criar um buraco imenso e frio no meu estomago quando olhei para o relógio e vi que me restava apenas 30 minutos. O que aconteceria depois? Será que ela iria me ver? Ela podia colocar os pés para fora do aeroporto e conhecer alguém legal, que logo depois se tornaria o amor de sua vida. Ela podia desistir de mim apenas por ser mais fácil para nós dois nos envolvermos com pessoas próximas. A falta machucava antes mesmo de ser sentida.
Ela parecia tão agoniada quanto eu. Seus olhos estavam arregalados, assim como os meus, as palavras não saíam e ela não conseguia me olhar nos olhos. Percebi que quem estava me fazendo companhia não era a mulher que esteve comigo por toda a semana, era uma completamente diferente, alguém triste e com o mesmo buraco no estomago que o eu.
O tempo parece mesmo ser um invejoso. Talvez ele nunca tenha tido um amor, vai ver que mesmo sendo o próprio tempo ele nunca teve que esperar por alguém. Será que alguém já pediu um “tempo” para ele? Faz sentido, uma vez que ele não tem a mínima lógica nem porque esperar ele mesmo passar. E ele estava correndo agora, não nos restava mais 30 minutos, eu já nem sei mais o quanto nos restava. E antes que eu soubesse, repousei a minha mochila no chão, ao lado do meu pé e respirei fundo, me pondo de frente para ela e soltando um riso que não queria muito bem ser um riso. Ela fez a mesma coisa, mas as lágrimas dela caíram pela bochecha e eu não consegui fazer mais nada. Eu queria chorar tanto quanto ela, mas nós tínhamos somente alguns minutos e eu não queria desperdiçar com lágrimas, queria aproveita-los com um abraço forte, com um beijo como se fosse o último, mas prometendo que não seria o último.
- Não chora. – Eu disse.
- Não vai. – Ela retrucou.
- E se você conhecer alguém? – Perguntei.
- Eu vou conhecer muitas pessoas.
- Não se apaixone.
Seu choro agora havia aumentado. Apesar de triste, eu achava bonito que ela sentisse a mesma coisa que eu sentia por ela, que ela me quisesse tanto quanto eu a queria. Dei-lhe um abraço forte e beijei suas bochechas e sua boca. O gosto salgado de lágrima me fazia quere-la ainda mais, repetir a dose, mesmo que nós tivéssemos que passar por aquilo quantas vezes fosse preciso. De repente todas aquelas pessoas em volta não existiam mais, era só eu e ela, assim como eu via nos filmes. E o buraco frio no estomago parecia só aumentar. Nós despertamos daquilo quando o meu voo foi anunciado. Nós não queríamos nos largar, mas era preciso, entende? Eu também não entendo, eu só sei que era preciso. E foi triste isso de virar as costas, depois olhar pra trás e ver que ela ainda estava na mesma posição que eu a deixei apenas com os lábios se movendo sem som algum, mas que dentro de mim ouvia um grito bem alto.
“Volta!”.
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