Não tinha nada a ver.
Ela estava lá e eu cá, nossos horários eram puro desencontros, eu acordava cedo e ela tarde. Enquanto eu estava na praia durante uma tarde ensolarada, ela se enrolava em um cobertor grosso e tomava um café quente. Em minha vida eu podia ter quantas companhias fossem e eu queria só a dela. Na verdade, quanto mais pessoas surgiam por perto, mais falta ela fazia.
Não. A realidade é que tínhamos tudo a ver.
Tudo bem, eu admito que dramatizo as coisas na minha vida, mas o que seria do amor sem uma dose de drama? Sem uma pouco de dor e uma pitada de exagero? Nada! Seria puramente sem graça, entende? Fácil demais, sem nenhum desafio, afinal sem luta não existe vitória. Nós nos amamos demais, nos queremos um bocado e seriamos a perfeição (ignore o fato de que não existe nada perfeito). Já pensou o quanto ia ser entediante? Às vezes me pergunto: “Como posso pensar isso? É o que eu quero, não é?”. Sim, é! Mas eu sempre preciso complicar e achar um significado para as coisas que eu acho que estão erradas, apenas para eu me convencer de que elas podem estar certas. Foi o que eu disse, tem que haver o tal desafio, atravessar alguns obstáculos e fazer valer a pena. Afinal, você só sabe da importância daquilo depois que precisa lutar por isso.
Não vou chorar, talvez só um pouquinho porque não sou de ferro, mas não vou xingar, não vou desistir, vou aceitar dessa vez as coisas como elas estão sendo. Vou ficar imaginando cada passo seu, o toque e a sensação de poder te olhar durante horas. Vou tentar aceitar sem reclamar (mentira, vou reclamar, é claro que eu vou!), e me convencer de que cada tempo sem você vai se tornar o triplo quando eu estiver ao seu lado. Então, menina, seja paciente, assim como estou tentando ser. Sentir falta faz parte, mas não se torture tanto, você me tem. E acredite em mim, quando tiver de ser, será.
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